"Mas pra quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião... e disso os loucos sabem!" (Charlie Brown Jr.)
"Nunca deixe que lhe digam que não vale à pena acreditar no sonho que se tem... ou que seus planos nunca vão dar certo... ou que você nunca vai ser alguém... Quem acredita, sempre alcança! (Renato Russo)
Novas peregrinações se aproximam! O objetivo desta vez será o Caminho da Luz, em MG, com destino ao Pico da Bandeira, percorrendo aproximadamente 200 Km em 8 dias de caminhada, com direito a credencial e selos! A caminhada tem previsão de início em 29/maio. O site www.caminhodaluz.org.br explica os detalhes. Vamos peregrinar?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estrutura dos Albergues do Caminho de Santiago

Estrurtura dos albergues


Tenho recebido perguntas a cerca dos albergues por onde passo. Então, faço uma pequena descrição para que conheçam um pouco do dia-a-dia destes lugares.

Em comum, todos possuem regras bem rígidas com relação a horários. A maioria começa a funcionar às 13h, e cerra (fecha) impreterivelmente às 22h, pois no Caminho de Santiago, o descanso dos peregrinos é sagrado. Inclusive, após este horário não é mais permitido acender as luzes dos quartos/salões, e o silêncio deve ser quase absoluto. Roncos são permitidos (rs, rs)!

Portanto, quando chego procuro deixar pronto tudo o que será utilizado durante minha permanência. Já abro o saco de dormir e o deixo sobre a cama (até agora, as instalações tem se mostrado bem limpas, e em alguns são fornecidos lençóis e fronhas descartáveis, por higiene. Mas me adaptei bem ao saco de dormir, e o utilizo sempre. Se for necessário procurar algo após o horário, recomenda-se utilizar uma pequena lanterna e fazê-lo em silêncio.

Após tomar banho, lavo (na mão) e estendo as roupas. Como minha toalha seca muito rápido, deixo-a presa à cama. Deixo também preparada a roupa do dia seguinte, que geralmente é a mesma com que durmo. Deixo ao alcance minha água, e o protetor auricular.

As botas e outros calçados utilizados pelos peregrinos, geralmente ficam numa sala próxima à recepção, onde se depositam também os bastões de caminhada. Por chegarem muito sujos, estes calçados não devem entrar nos quartos.

Alguns albergues são privados, outros são municipais, ou paroquiais. Os paroquiais, geralmente não cobram, ou seja, funcionam por donativos. Deixa-se a quantia que julgar justa. Contudo, o conforto não está necessariamente relacionado à procedência do albergue. Nos cobrados, a taxa tem variado de 4 a 10 €. Por aqui se preza muito a economia, tanto de água, quanto de luz. A maioria tem luzes por sensores de presença, e água com acionador por pressão.

A maioria possui banheiros coletivos, porém separados por gênero. Possuem cozinha, para que o próprio peregrino prepare suas refeições. Todos em que fiquei até agora, tinham água quente. Geralmente há um jardim, ou espaço aberto, onde se pode reunir, ou secar as roupas. Alguns tem máquinas de lavar automáticas, que funcionam com moedas, geralmente 1 €.

A saída deve ser no máximo às 8h (a esta hora já andei quase 10 km!). Apesar de não usar despertador, não tive, até agora, problemas para acordar, até porque a partir de 5:30h começa o burburinho dos peregrinos que estão se preparando para sair.

As pessoas que cuidam dos albergues são conhecidas como “hospitaleiros”. Um trabalho geralmente voluntário, sem remuneração. Alguns brasileiros, em determinados períodos servem como hospitaleiros pelo caminho. São pessoas, em sua maioria, bastante acolhedoras. Alguns cuidam, inclusive, das “ampollas” (bolhas) dos peregrinos.

Com relação à comunicação, não existem muitos problemas, pois os hospitaleiros se esforçam para compreender os peregrinos das diversas nacionalidades que ali chegam. Quando surge alguma dificuldade, outros peregrinos prontamente surgem para auxiliar. Além do espanhol, alguns hospitaleiros falam inglês, francês, e outros idiomas.

Acho que é isso! Qualquer dúvida, é só perguntar!

Abraço!

4 comentários:

  1. Nossa, tudo muito organizado, né?
    Quanta diferença de um albergue no Brasil....

    Essas regras estão escritas e expostas nos albergues ou é quase um "Consciente coletivo" para a Boa Vizinhança?

    Vcs têm feito sucesso pelo caminho? O pessoal fala do Brasil?

    Beijos!
    LU GAMA

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  2. Sim, a organização chama a atenção! As regras de conduta nos albergues são expostas, e por vezes são explicadas pelos hospitaleiros. Mas creio que, para a grande maioria dos peregrinos, elas não fossem necessárias, pois fazem parte do espírito do Caminho!

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  3. Os peregrinos, e hospitaleiros, gostam muito dos "brasileños"! A interação tem sido muito positiva, e gratificante! Já ouvi mais de uma vez, peregrinos falando ao celular com seus familiares, e mencionando os brasileiros!

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  4. Putz!!Que experiência que vc está vivendo... a gente ao ler seus relatos vivencia um pouco da sua viagem... e consegue sentir que as pessoas parecem se apoiar bastante durante o percurso....

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